A ciência por trás das ‘diferentes cores’ do vestido que se espalhou pela web
Olá manolos!
A
internet foi tomada por um grande mistério. Muita gente foi dormir intrigada
nesta quinta-feira e acordou querendo saber: afinal, qual é a cor do vestido?
Preto e azul ou branco e dourado? A sexta-feira amanheceu com a resposta (são
muitos tons de azul) e a tentativas de explicar o fenômeno que se espalhou
pelas redes sociais, o que nos leva a buscar entender como as pessoas
identificam, quase sempre, as mesmas cores de um objeto no cotidiano.
“Estudo
diferenças individuais na visualização de cores por 30 anos, e esta é uma das
maiores diferenças individuais que já vi”, afirma ao site da “Wired” o
neurocientista Jay Neitz, da Universidade de Washington, que, aliás, vê a
combinação branco e dourado quando olha para o vestido.
Quem
enxerga o vestido branco e dourado está equivocado, decreta o site da rede
britânica BBC. A equipe recrutou a sua editora mundial de fotografia, Emma
Lynch, para determinar a cor do vestido usando um software de edição de fotos.
Segundo ela, após uma análise, verificou-se que todos os tons da cor do vestido
são azuis. Não haveria nada de branco. Emma explica que, ao aumentar a
saturação - tornando as cores mais fortes, sem acrescentar cores - o vestido
aparece azul para todos.
Para
entender por que parte das pessoas está sendo “iludida”, é necessária uma
explicação sobre o funcionamento do nosso sistema visual. A luz invade nossos
olhos através das nossas lentes. Diferentes comprimentos de onda correspondendo
a diferentes cores. O comprimento de onda da luz refletida por um objeto muda
consideravelmente em diferentes condições de luminosidade. Entretanto, a cor do
objeto permanece a mesma. Esta propriedade, chamada de “constância de cor”, é a
mais importante do sistema visual para identificar uma cor.
Pois
a mesma luz que adentra as lentes bate na retina no fundo dos olhos, onde
pigmentos disparam conexões neurais até o cortex visual, a parte do cérebro que
processa tais sinais e forma uma imagem. Esta primeira explosão de luz é
composta pelos comprimentos de onda que iluminam o mundo, refletindo o objeto
para o qual estamos olhando. O cérebro, então, identifica qual a cor da luz que
está sendo refletida do objeto e subtrai essa cor da cor “real” do objeto.
“Nosso sistema visual deve descartar a informação sobre a fonte de luz e
extrair informação sobre o que está sendo refletido”, diz Jay Neitz.
Essa
imagem do vestido, aparentemente, acerta em cheio um tipo de fronteira da
percepção que está “dividindo” a humanidade em dois grupos de pessoas. Os seres
humanos veem tudo envoltos pela luz do dia, que está sempre mudando de cor. Os
objetos, então, assumem tom avermelhado da manhã, passando pelo azul e branco
do meio-dia até voltar ao vermelho do crepúsculo. O cérebro, então, vai
tentando descontar esse efeito da luz solar, ou de outra fonte de luz, para
identificar sempre a cor verdadeira. Por isso, uma parte das pessoas vê o azul
do vestido, mas seus cérebros ignoram, atribuindo a cor azulada à fonte de luz,
em vez de creditar isso à roupa. Elas acabam vendo branco e dourado, mas
equivocadamente. Outros indivíduos que atribuem o azul que eles veem ao próprio
vestido. Estão certos.
“O
sistema visual das pessoas está olhando para o vestido, e tentando descontar a
tendência cromática do eixo da luz do dia”, afirma o neurocientista Bevil
Conway, da Universidade de Wellesley, também em entrevista à “Wired”. “Então,
as pessoas que descontam o lado azul enxergam as cores branca e dourada. E
aquelas que descontam o lado dourado veem azul e preto”.

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