domingo, 1 de março de 2015

Azul e preto ou branco e dourado?




A ciência por trás das ‘diferentes cores’ do vestido que se espalhou pela web

 

Olá manolos!

A internet foi tomada por um grande mistério. Muita gente foi dormir intrigada nesta quinta-feira e acordou querendo saber: afinal, qual é a cor do vestido? Preto e azul ou branco e dourado? A sexta-feira amanheceu com a resposta (são muitos tons de azul) e a tentativas de explicar o fenômeno que se espalhou pelas redes sociais, o que nos leva a buscar entender como as pessoas identificam, quase sempre, as mesmas cores de um objeto no cotidiano. 


 “Estudo diferenças individuais na visualização de cores por 30 anos, e esta é uma das maiores diferenças individuais que já vi”, afirma ao site da “Wired” o neurocientista Jay Neitz, da Universidade de Washington, que, aliás, vê a combinação branco e dourado quando olha para o vestido.
Quem enxerga o vestido branco e dourado está equivocado, decreta o site da rede britânica BBC. A equipe recrutou a sua editora mundial de fotografia, Emma Lynch, para determinar a cor do vestido usando um software de edição de fotos. Segundo ela, após uma análise, verificou-se que todos os tons da cor do vestido são azuis. Não haveria nada de branco. Emma explica que, ao aumentar a saturação - tornando as cores mais fortes, sem acrescentar cores - o vestido aparece azul para todos.
Para entender por que parte das pessoas está sendo “iludida”, é necessária uma explicação sobre o funcionamento do nosso sistema visual. A luz invade nossos olhos através das nossas lentes. Diferentes comprimentos de onda correspondendo a diferentes cores. O comprimento de onda da luz refletida por um objeto muda consideravelmente em diferentes condições de luminosidade. Entretanto, a cor do objeto permanece a mesma. Esta propriedade, chamada de “constância de cor”, é a mais importante do sistema visual para identificar uma cor.
Pois a mesma luz que adentra as lentes bate na retina no fundo dos olhos, onde pigmentos disparam conexões neurais até o cortex visual, a parte do cérebro que processa tais sinais e forma uma imagem. Esta primeira explosão de luz é composta pelos comprimentos de onda que iluminam o mundo, refletindo o objeto para o qual estamos olhando. O cérebro, então, identifica qual a cor da luz que está sendo refletida do objeto e subtrai essa cor da cor “real” do objeto. “Nosso sistema visual deve descartar a informação sobre a fonte de luz e extrair informação sobre o que está sendo refletido”, diz Jay Neitz.
Essa imagem do vestido, aparentemente, acerta em cheio um tipo de fronteira da percepção que está “dividindo” a humanidade em dois grupos de pessoas. Os seres humanos veem tudo envoltos pela luz do dia, que está sempre mudando de cor. Os objetos, então, assumem tom avermelhado da manhã, passando pelo azul e branco do meio-dia até voltar ao vermelho do crepúsculo. O cérebro, então, vai tentando descontar esse efeito da luz solar, ou de outra fonte de luz, para identificar sempre a cor verdadeira. Por isso, uma parte das pessoas vê o azul do vestido, mas seus cérebros ignoram, atribuindo a cor azulada à fonte de luz, em vez de creditar isso à roupa. Elas acabam vendo branco e dourado, mas equivocadamente. Outros indivíduos que atribuem o azul que eles veem ao próprio vestido. Estão certos.
“O sistema visual das pessoas está olhando para o vestido, e tentando descontar a tendência cromática do eixo da luz do dia”, afirma o neurocientista Bevil Conway, da Universidade de Wellesley, também em entrevista à “Wired”. “Então, as pessoas que descontam o lado azul enxergam as cores branca e dourada. E aquelas que descontam o lado dourado veem azul e preto”.




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